A beleza do preto















A beleza do preto nega que Deus esteja morto. Ou que haja um buraco no céu. A beleza do preto repousa – não como quem dorme sob as asas de um morcego, mas como quem cessa de dar nome às coisas. Escravos não seremos do rancor das horas. Do breu das horas. O negro é um amigo disfarçado. Ele é discreto. Nada tem a ver com o dano. A chuva, às vezes, cai mais cinza. Quando o céu desaba de beleza. É quando a terra está mais faminta. É os livros são mais bonitos lidos no sábado. Judaico. A beleza do negro é válida para amainar o conflito entre os dois lados da moeda do muro da estrada. E não há nada de melancólico alcoólico ou turbulento no negro que sucede o enredo azul-noturno. As coisas se sucedem como escorre o mel: aos pingos. Há beleza no preto como há beleza na visão dos santos. Ou dos índios.












Marcelo Novaes