Deus não joga bilhar














Foi assim. Ele jogou bilhar por um tempo, sem sequer saber o nome do jogo. Eficiência justa, sem medo do fracasso [em posição vibrada: o ambiente todo aureolado], como um médium esperando ser incorporado. [Ou doente vislumbrando ataque epilético]. O ambiente vibrado de certeza. O tempo nimbado pela eficiência primeira [ou primeira eficiência]. Nenhuma tensão nos músculos. [Tempo vibrado]. Sair dali pra dormir num bom hotel. [Pardieiro]. [Viver perambular circum-ambular, como um jogador de bilhar. Sem sentir, do Tempo, nos ombros, o peso]. Rapidíssima sucessão de acontecimentos. O jantar estava bom [sanduíche de escorrer óleo pelo pão]. Talvez valha dar dez centavos ao garçon. [Ao garção dir-se-ia em puro vocabulário]. Dou, não dou; dou, não dou: triste oscilação do homem avaro. [O ambiente vibrado de incertezas]. Foi assim. Ele esfregou os olhos depois de hesitar no honrado gesto [pagar o justo, pelo excesso de óleo]. E tudo fez-se escuro. No canto do quarto, um homem clandestino. [“Não coma tanto”]. Era Deus. Ensinando-lhe doze virtudes e cento e um pecados.


Aprendeu.












Marcelo Novaes