Doem lâmpadas nos movimentos das mãos [dos dedos, das falanges], que tentam reter desejos a mais [a sorte, as posses]. Doem belezas nas lâmpadas que se acendem, quando temos as tênues mãos tão tensas, para um trabalho original [por menor que seja]. Doem lâmpadas nos movimentos das mãos [que já são lentas, de velhas que são]. E doem como lâmpadas amarelas [quais lampiões ou lamparinas]. Pousam as mãos sobre as testas, quando doem as lâmpadas [ainda acesas, mas castigadas]. [Fustigadas]. Tentam as mãos, pausadas [e pousadas], amainar as dores do tempo, que pairam [descansam] entre os olhos [e nas têmporas]. As lâmpadas se acomodam por detrás das pálpebras [se acolchoam e se aninham], e emprestam ao nosso senso [e ao nosso sono] o sentimento de sermos nós mesmos [quando acordamos do sono amarelo]. De manhã cedo.
Marcelo Novaes