Caminhar no sol seria bom. Pisando o sol. A única coisa a ser exposta é a cicatriz. A ferida já fechada. Nunca aberta. Sangrada no passado. Ela é que conta na hora de pisar manso o sol. E pisar manso, o sol, é meu descanso. Matar ou morrer. Vícios. Saltar precipícios, deixando de olhar as próprias pernas. Só assim é possível. A vida não se reinventa num dia. Nem numa noite de tormenta. É preciso pisar o sol, até derreter velha história. Viver é desfiar-se no ver, sem fins lucrativos. Há de se ter princípios. Não colecionar escravos como amigos. Nem cigarros fumados até o filtro. Ser livre é andar a pé. E largar o carro no primeiro declive. Ponta de amizade, amarrada sem ninguém saber, não sucumbe. Meus olhos deixaram de ser vermelhos. Na escuridão, não brilham. Espelhos, não procuram. Só é rubro o sol que piso. E deixei meus vícios no caminho.
Marcelo Novaes