Andrômeda














Ainda que se ande e que se pense o corpo nimbado de sonho, ainda que se sonhe o corpo [como Vasto Reino ou pequeno ponto], ainda que se o pense como nódulo-em-movimento no Filamento Espiralado, será sempre, o corpo, sonhador-e-sonhado, ao mesmo tempo. Não haverá colisão entre sonho e corpo: nenhuma relação canibal. Ainda que saibamos que nos engolirá Andrômeda, amanhã. Entre corpo e sonho não há Dança Similar. Não há Choque entre Estrela e Corpo [ou Colisão Aparente], mas Trespasse. E do Trespasse surge o calor, o incêndio, a Força Vital. Aquilo que irradia e se acumula como Sol. Aquilo que distribui o sol pelos olhos, pelas mãos. E serão sempre corpos boiando em sonhos. E serão sempre módulos-como-seres nadando em Cantos Gregorianos. E serão vozes que a si mesmas se devolvem, como Ecos de Ecos Remotos. E tudo isso pode caber num Homem, sem que se perceba. Até que chorem as mulheres velhas. Até que se rasguem [e chorem as rasgadas] rendas. Até que se molhem as carpideiras. Até que as estrelas se dissolvam. Até que Tudo se Rasgue ao Meio.













Marcelo Novaes