A mão não lhe pertence, tenha a moeda fechada, dentro, ou às suas costas. Não sabe que dedo aciona, ao almejá-la. O que deveria ser espaço entre o pensar e o abrir é Névoa-que-Paira, sem parar. Alguém tem saudades. Alguém vela, de longe. Algum vento ufana a vela, ao ufanar-se. É só olhar a janela, e vê-lo chegar à portaria. Ele caminha aos trancos, como lá longe ocorrera. Ele vem bufando e parece subir as escadas, como no passado. A moeda quase cai; a mão quase abre. Mas ele não chega. Outra vez se olha e se vê a mesma cena. Lá está ele, adentrando a velha porta, como se já não o fizera. E os passos são os mesmos de dantes. E não é que o frio sobe escadas, imantando a pele ao cobre?! Vida de quem, por esperar, sofre. Com a única mão disposta ao gesto, digita as teclas. O número dissipará a claridade. Do outro lado, o mesmo atende: aquele que pressupusera quase à porta. O ar que se respira é o mesmo, e talvez venha de fora.
Marcelo Novaes