E dizem gostar dessa cidade, embora o diesel, embora o branco nas têmporas pelos golpes sucessivos. Embora a espera pelo amadurecer das nêsperas, logo após a primavera. E dizem gostar dela, embora o quase-cair das engrenagens [salvos pelos pés presos na correia]. Embora nos rostos tudo tão vaporizado e volátil [sob o ágil relâmpago], prezam os tropeços que repartem o chão em mães e pais chorando cruzes e exclamações. Embora o ruído dos amplificadores e da estrela-em-fuga, à meia-noite, dizem gostar dessa cidade e de sua radiografia, em manchas escuras. Malgrado a previsão dos astrólogos e o voo baixo dos morcegos, há muito não se ouve coro tão aceso em meio a tanto pouco caso.
Marcelo Novaes