Para que servem vinte litros d’água, carregados por anos e anos, ao longo da mesma rota?! Para testar a força, a memória e para cálculo de sombras e sobras sobre o açude de água salobra. Os óculos de aros grossos também caem ao longo do trajeto, com medido cálculo. Comedido. Por isso, também por isso, não se crê naquele que carrega água e consigo conversa, sem repetir aos outros aquilo em que navega. Pra que serve língua morta?! Talvez sequer língua: canto de areia, ruído-de-queda-de-aro-grosso, algum ranger de carroça, gemido de criança caída em fundo de poço. [Que do cálculo não se faça troça...]. Alguns acham bonito ouvir a ambiência cinza-névoa, ou quando esta deixa lugar ao cinza-chumbo durante a Procissão ao Senhor Morto. [Ou Virgem Dolorosa]. Há quem defenda a Beleza por Contraste: Determinante. [E por Contraste – ou Contrição – o Céu melhor se tornaria: Escarlate]. Há quem se dê a monólogos. Há quem suspeite haver, no fundo d’água, qualquer semblante que se lhe assemelhe. [Ainda que não de todo gente]. Há quem tenha pisado em vidro vário e variado, sem contrair tétano, por afirmar-se sem medo, sem trinca, sem ranhura ao vidro. [Tem sido assim bizarro e bizarro tem sido]. Há quem assim o faça por imaginar-se, da doença, protegido. E até deixe de coçar, do pé, seu bicho [e já nem bem se sabe se no pé há mais...]. Há quem sustente teses que parecem migrar pra onde não se sabe ou Nenhum Lugar. [Rumar ao Esconderijo]. Para que servem vinte litros d’água?! Há quem pareça estar cheio de certezas a respeito. Ou suspeitas. [Estes, não as explicitam]. Há quem, diante da pergunta, se jogue ao chão em tom de pergunta, qual Hipérbole a fazer pender o Outro Prato da Balança na Distante Constelação de Libra, em Sua Parte mais Substancial. [A Mais Imponderável Parte]. Há quem sinta calafrios diante da Pergunta e simule achaques [quiçá: sua Própria Tentativa de Persuasão]. As dores nas têmporas têm tempo certo pra chegar: sobem e inundam, feito água salobra. [São Dores Temporãs]. A dor se dá quando se acha a parte mínima do que se procura na Pergunta. Para que serve Estar Doente? É só um tanto de dor a se aliviar, quando entrevista no rosto daquele que a sintetiza. Em quanto Tempo Morrerá? [Mesmo em Mansidão Ocasional ou Calmaria...]. E o tempo da dor de quem olha o Tempo Finito é impresso no olho de cada expectador, qual o frio na fuselagem do monomotor em voo. E só se distende ao Infinito [o tempo da dor] quando se mede a Pergunta por Mudo Grito: famoso quadro de pintor.
Para que servem, d’água, vinte litros?!
Marcelo Novaes